Na semana que teve início no dia de Páscoa fui, pela 9ª vez, peregrino durante seis noites, caminhando 208 Kms.,com partida do Porto da Igreja da Paróquia de Nossa Senhora do Amial (www.amial2010.org) e chegada ao Santuário de Fátima.
Que razões terão os devotos e “não devotos” ao prometer e “não prometer” ir, a pé, das suas residências até Fátima?
Que motivações terão alguns deles, uma vez chegados ao Santuário, a “caminhar de joelhos” durante percursos, aparentemente diminutos, que se transformarão em flagelos?
As respostas às minhas duas perguntas são do foro íntimo de cada um dos peregrinos!
Contudo, dado que desde Novembro passado tenho uma responsabilidade acrescida quando decidi colaborar com o AUDIÊNCIA, entendi “pensar alto” sobre esta faceta da minha vida.
Assim, decidi que a crónica deste mês de Abril fosse sobre a minha experiência pelo que vou desabafar convosco sobre tal tema.
Das nove vezes que peregrinei duas delas foram para acompanhar e ajudar alguém de quem gosto muito que prometera algo que desconheço.
Três das peregrinações foram para cumprir promessas minhas sobre assuntos muito importantes de dois meus familiares que adoro, e uma vez para agradecer algo de natureza profissional que quase aconteceu.
As restantes quatro “idas até ao Santuário” foram pelo prazer de caminhar, de partilhar, de sofrer, de meditar, de renovar, de crescer, de aprender, de pensar, de chorar!
Uma semana sem computador, sem imprensa, sem televisão, sem rádio, sem café, sem fazer a barba, a castigar o corpo (dores nos pés, nas pernas, nas costas, na coluna, nos braços, …, cansaço em todo o corpo) mas a crescer na amizade, no amor, no carinho, na compreensão, na entrega, no equilíbrio, na esperança, na espiritualidade, na fé, na felicidade, na festa, na generosidade, na harmonia, na luz, na partilha, na paz, na sabedoria, na saúde, na solidariedade, na ternura e na tranquilidade.
Durante todos os dias tive, bem como os restantes oitenta peregrinos, o apoio constante e permanente dos “Jovens Felizes” (Marisa, Sérgio, Sofia, Libério e Ana) e doutros elementos mais recentes de tal Grupo, também solidários e generosos, e o apoio espiritual do também peregrino Frei José Carlos (Capuchinho Franciscano) sempre atento e disponível quer no Terço, na Eucaristia, na Estrada, no Hotel na Anadia, no Autocarro de apoio, …, enfim, a qualquer hora e local onde fosse necessário.
É fácil ver (para quem não é cego), é fácil ouvir (para quem não é surdo), é fácil falar (para quem não é mudo), é fácil cheirar (para quem não é anosmático), é fácil andar (para quem não é coxo).
Difícil é acreditar no que não vemos, não ouvimos, não cheiramos, não sentimos! Na eucaristia todos vemos o Pão e o Vinho! Quantos de nós vemos o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo?
É a diferença entre acreditar e não acreditar! E, se acredito, tenho de ser indulgente para os que não acreditam, também estes terão de ser tolerantes para com os crentes.
Na local onde descansamos, na Anadia, vi andorinhas e os seus ninhos! Dizem que é a Primavera em todo o seu esplendor.
Gostava que fosse prenúncio dum mundo menos arrogante, menos vaidoso, menos orgulhoso.
Seria bom que não fosse necessário esperar pelo Natal para olharmos o sofrimento dos nossos vizinhos!
Ainda não me sinto um homem de fé! Há momentos que pareço estar perto mas vacilo e recuo! Será que tenho medo de me aproximar de Deus? Será que não consigo comprometer-me com Ele? Será porque quero continuar a flagelar-me por durante muito tempo ter dedicado a maior parte da minha vida às “coisas terrenas”? Será que no meu íntimo não me quero envolver?
Nunca li a bíblia! Já tentei iniciar a sua leitura mas faltou-me a coragem!
Quando cheguei a Fátima pedi a Maria que fosse intermediária entre mim e o seu Filho! Pedi-lhe também que ouvisse os pobres, os oprimidos, os miseráveis e que falasse deles a Jesus Cristo! Faltou-me força para pedir que castigasse os opressores, os corruptos e os vingativos!
Vou continuar com as minhas muitas dúvidas, porque parece que à medida que cresço na fé, as minhas hesitações aumentam. Porque será?
Sempre que puder vou continuar a peregrinar porque ao fazê-lo estou também a ser cidadão dum mundo cruel mas no qual continuo a acreditar.
Vou continuar a partilhar com os meus amigos e vizinhos no que puder e souber.
Paz e Bem para todos!
Manuel Machado
Com este testemunho do nosso amigo e companheiro Manel Machado, fiquei a meditar em tudo o que escreveu e para quem já o conhece um pouco sabe que ali está toda uma verdade. São muitas perguntas muitas sem resposta, a não ser para os crentes, para os que tem Fé esses sabem porque continuam a PEREGRINAR......Obrigado Manel pela coragem do seu Testemunho!
ResponderEliminarGracinda